MARIA INÊS é filha de uma feiticeira e como tal, sabe manipular e combinar, perfeitamente, as várias poções de sonhos, cores, fantasia, para criar um novo mundo, onde a arte ocupa um espaço vital.

Ainda como aprendiz de feiticeira, há muito tempo atrás fez cursos de desenho e pintura, procurando encontrar seu próprio caminho.

O tempo passou. Maria Inês continuou convivendo com o mundo dos bruxos, vendo, ouvindo, sentindo.

Até que um dia, por um desses acasos, ela teve em mãos um bloco de aquarela. Plim! Foi o instante!

Aquele bloco era como se fosse uma caixa de bombons uma caixa encantada. Mas, não era seu.

Procurou por outro igual por aqui mas não encontrou.

Até que um dia, em sua vassoura mágica, em viagem ao exterior, encontrou todas as poções que queria. Tintas, pincéis e o encantado bloco de papel.

Voltou para casa correndo e fez sua primeira aquarela. Dentro de si brotava o encanto e o mistério das primeiras lições de bruxaria. Um banco debaixo de uma árvore frondosa, um campo claro e iluminado.

A s barreiras se romperam. Maria Inês conseguia voar, sem precisar de vassouras. Os espaços abriam-se.

Hoje encontramos em suas aquarelas essa árvore, que convive em harmonia com outras árvores, com os campos, com a natureza.

Ora se exibe, ora se esconde. Não importa. O que importa mesmo é a delicadeza da cor, do tom quase sempre pastel, do verde inovado em cada estação.

E Maria Inês busca as sensações dessas paisagens da mesma forma que busca a amplidão das marinhas e dos espaços.

Convive com o mar em toda a sua dimensão e entende de seus segredos.

Com a onda que pode ser quase nuvem. Com o barco que quase sempre é uma noz.

Assim é Maria Inês. Seus trabalhos refletem a alegria do reencontro consigo mesma.

Deixa de ser bruxa ou feiticeira, para ser unicamente a mulher que encontra sua forma de expressão verdadeira, nas delicadas aquarelas que podemos ver, agora, em sua primeira exposição individual.
 
 

Henry Victor